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Intercâmbio da SP Escola de Teatro: estudantes falam da experiência na Noruega

Em 2025, não faltaram projetos internacionais de peso na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

Depois da Alemanha, foi a vez da Noruega receber estudantes da SP Escola de Teatro!

As estudantes do curso técnico em Direção Bárbara Roma Fadil e Monaliza Fileno Custodio ficaram de 17 a 28 de novembro em Oslo como parte de um intercâmbio internacional totalmente gratuito.

O projeto foi promovido pela área de Projetos Internacionais e Parcerias da SP Escola de Teatro, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, em parceria com a Secretaria dos Comitês de Cultura – Ministério da Cultura.

As estudantes foram selecionadas após edital. A área de Projetos Internacionais e Parcerias é coordenada por Marcio Aquiles.

Bárbara Roma Fadil e Monaliza Fileno Custodio participaram do intercâmbio na Oslo National Academy of the Arts, participando de atividades dentro do projeto “Pixels as big as mill-wheels! – A hundred years of video”, organizado pelo artista Kyrre Bjørkås.

Leia os depoimentos das estudantes que foram a Oslo:

Monaliza Fileno

Estar em Oslo tem sido uma chancela importante para reafirmar que a arte não transforma apenas o que vemos, mas como vemos. Quem a consome enxerga o mundo através de molduras distintas, ainda que sempre construídas dentro de um perímetro de acesso delimitado pelos contextos que habitamos — culturais, históricos, políticos — e pelas portas que conseguimos, ou não, destrancar. Ao chegar aqui, novos horizontes estéticos se abriram, enquanto crescia em mim uma valorização profunda da potência que carregamos no Brasil. Pode soar piegas, mas o nosso jeito de fazer arte tem sabor, tem corpo, tem urgência. E, quando estamos fora, essa singularidade se torna ainda mais evidente.

O fazer teatral não é apenas palco: é comunidade, arquitetura, clima, silêncio, ética, estética, história e tudo o que acontece nos intervalos entre os gestos. Nessas duas semanas de imersão teatral em Oslo, as aulas acontecem numa das universidades de arte mais importantes da Noruega — seis horas por dia mergulhando em vídeo, câmera, som, dramaturgia visual — mas viver a cidade e culturas distintas também inclui o aprendizado. Os ritmos, a culinária, o frio que atravessa o corpo , o modo como as pessoas ocupam o espaço público… tudo isso vira matéria-prima. Não estamos apenas estudando videoarte; estamos experimentando outra cultura com todos os sentidos.

No primeiro dia fomos acolhidos pela equipe pedagógica, conhecemos os orientadores, exploramos corredores, estúdios e salas de montagem, e recebemos nosso cartão de acesso — um gesto simbólico, como se estivéssemos sendo convidados a entrar em um novo território criativo. O curso “Pixels as big as mill-wheels! – A hundred years of video”, organizado pelo artista Kyrre Bjørkås, é estruturado em quatro salas provocadoras — Brightness & Contrast, Glitter & Doom, Crazy Camera Person e Relational Video — cada uma com propostas estéticas específicas. Passamos dois dias em cada sala, criando, apresentando, discutindo e depois “recomeçando do zero” em outra paisagem criativa.

No meio desse fluxo intenso e inevitavelmente atravessado pela tecnologia atual — esse lugar de atritos, embates e reinvenções para quem vem do teatro — somos convidados a encontrar interseções entre cena e vídeo, a abraçar o erro, a usar poucas ferramentas e muitas ideias. Para alguém com “alma de senhora”, como costumo brincar, tem sido libertador (e engraçado) descobrir esse jogo. Fomos divididos em 4 grupos, eu faço parte do grupo azul, junto com colegas da Alemanha, Finlândia e Noruega. A diversidade linguística nos obriga a reinventar a comunicação todos os dias — o inglês vira língua comum mesmo sem haver norte-americanos, e a tradução vira cena, ruído, jogo e dramaturgia.

Viver tudo isso com o custeio integral do programa promovido pela área de Projetos Internacionais e Parcerias da SP Escola de Teatro, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo é uma mistura profunda de privilégio, responsabilidade e gratidão. Também é enfrentar adversidades, aprender a se mover no desconhecido e perceber o quanto o povo local pode ser receptivo mesmo quando a língua nos escapa.

Algumas pessoas fazem arte para processar algo, para pensar o mundo e outras para existir. Eu, particularmente, me sinto viva pela possibilidade de respirar e pensar arte durante 24 horas por dia durante essas duas semanas. É um sonho realizado — e, ao mesmo tempo, um novo começo. A SP Escola de Teatro me trouxe até aqui, e eu sigo vibrando, absorvendo e criando, com o coração aberto para tudo que esse encontro internacional está transformando em mim.

Bárbara Roma

A câmera-ser no teatro

O que o vídeo tem contribuído com o teatro? As imagens em movimento somam como aos movimentos presentes e corporificados no palco?

São essas perguntas que tenho me feito no curso de Kyrre Bjørkås e Marte Vold. Aprender a dançar com a câmera (como a Marte faz), brincar com o software (como o Kyrre fazer), tudo bem complicado, técnico, físico. A tecnologia pede um outro tempo. Exige do corpo e da mente, muitos de nós saímos cansados. Nós, os estudantes.

Nós, os estudantes, testamos. Erra erra erra. Acerta. Um pouquinho só. E às vezes. Mas tudo é tão novo que não há erro que não seja acerto também. É tudo uma questão de jogar no ar e ver quem pega. Imagens são assim, elas tem um poder intangível de tocar sabe-se-lá quem sabe-se-lá como.

Imagens internacionais se misturando, modos de fazer, combinar, juntar ideias tão diversas. Por fim, mostrar. O que é o teatro dentro do vídeo e o que é o vídeo dentro do teatro? Talvez o segredo seja que um se perca no outro.

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