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Prêmio Solano Trindade celebra nova dramaturgia negra com lançamento de coletânea em São Paulo



Cerimônia acontece em 18 de novembro, no Brás, e apresenta ao público o volume 7 de “Eternizar em Escrita Preta”, com obras inéditas de Bruna Geordanna, Tom Machado e Veec Santos 

          Foto: Divulgação/ADAAP

Tiragem terá distribuição gratuita e publicação integra o acervo do Selo Lucias, que também estará disponível em formato digital

O Prêmio Solano Trindade de Dramaturgia Negra realiza, no dia 18 de novembro, a cerimônia de sua 7ª edição com o lançamento do volume 7 da coletânea Eternizar em Escrita Preta. A publicação reúne as dramaturgias de Bruna Geordanna Matos, Tom Machado e Veec Santos, autores selecionados neste ano pela iniciativa promovida pela Associação dos Artistas Amigos da Praça (ADAAP) e da SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco, vinculada à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo.

A celebração começa às 19h, no Campus Brás da SP Escola Superior de Teatro, em São Paulo, e terá a presença dos autores selecionados. O encontro marca a chegada das três obras ao livro, com tiragem impressa de 500 exemplares e distribuição gratuita.

"A história do teatro brasileiro se consolida na multiplicidade de suas vozes, e o Prêmio Solano Trindade nasce justamente para criar oportunidades e garantir que essa diversidade ocupe palcos e publicações. Em sua sétima edição, reafirmamos o compromisso da Secretaria com a valorização da criação artística e da cena cultural. Ao publicar essas três obras por meio da SP Escola Superior de Teatro, não apenas celebramos o talento desses autores, mas asseguramos que seus textos ganhem fôlego, circulação e alcancem novos públicos, diretores e pesquisadores em todo o país", afirma Marilia Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

Criado para incentivar a produção de novas dramaturgias negras, o Prêmio Solano Trindade seleciona textos originais e inéditos de artistas afrodescendentes vinculados à formação em artes cênicas. Desde a primeira edição, realizada em 2020, as obras escolhidas passam a integrar uma publicação, formando um registro contínuo da escrita teatral negra contemporânea produzida em diferentes regiões do Brasil.

Para Ivam Cabral, diretor-executivo da ADAAP, a principal conquista do projeto está nas oportunidades que ele passou a oferecer aos artistas e no que acontece depois que suas obras chegam ao público.

“A primeira conquista foi abrir uma porta. E, quando abrimos uma porta, não sabemos exatamente quem vai entrar, que histórias vai trazer consigo, que outros caminhos serão possíveis. Por isso é fundamental a questão da acessibilidade, que sempre gosto de enfatizar, um conceito crucial para o sistema pedagógico da SP Escola Superior de Teatro, e que luto para que seja a opção para substituir o termo ‘inclusão social’, carregado de preconceitos e de alcance menor”, afirma.

Ivam também chama atenção para a importância de ampliar a presença de autores negros na construção das próprias narrativas teatrais.

“Durante muito tempo, o teatro brasileiro apresentou histórias sobre pessoas negras sem garantir, na mesma medida, que essas histórias fossem contadas por elas. Quando muda quem escreve, muda também o lugar de onde se olha, aquilo que se escolhe contar, as perguntas que se fazem. O mundo fica maior porque passamos a conhecê-lo por outras perspectivas.”

Nesta edição, Etiqueta, de Bruna Geordanna Matos (São Paulo/SP); Mãe Stella de Oxossi: Aquilo que não se registra o tempo apaga, de Tom Machado (Salvador/BA); e Memórias, de Veec Santos (Belo Horizonte/MG), passam a compor essa trajetória.

 

Bruna Geordanna Matos, Tom Machado e Veec Santos 

Escritas que permanecem

Os seis volumes anteriores de Eternizar em Escrita Preta reuniram 18 dramaturgias, com obras que continuam disponíveis para consulta e leitura. A coleção tem como proposta preservar os textos selecionados e permitir que eles alcancem novos públicos, incluindo estudantes e profissionais das artes cênicas.

“No teatro, temos uma relação curiosa com o tempo. Um espetáculo acontece e desaparece. Mesmo quando transforma a vida de quem o assiste, ele não permanece exatamente como aconteceu. A publicação cria outra possibilidade de permanência: o livro atravessa cidades, gerações, salas de aula. Pode ser lido hoje ou daqui a cinquenta anos, ou inspirar uma montagem que ainda nem imaginamos”, explica Ivam.

O volume 7 será publicado pelo Selo Lucias, iniciativa editorial da ADAAP dedicada a obras ligadas às artes e outros campos do pensamento. A edição terá ilustração de Ludimila Lima, artista visual e pesquisadora do Recôncavo Baiano.

Além da distribuição impressa, a coletânea estará disponível gratuitamente em formato digital a partir do dia 19 de novembro, no site da SP Escola Superior de Teatro. Os volumes anteriores também podem ser acessados na página de publicações do Selo Lucias.

“Há também uma dimensão política. Um acervo não é apenas uma coleção de livros; é uma maneira de afirmar que determinadas experiências merecem ser preservadas, estudadas e transmitidas”, acrescenta o diretor-executivo.

A continuidade da coleção também permite acompanhar a abrangência geográfica construída pelo prêmio. Autores de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Sergipe já tiveram textos publicados. A edição de 2026 acrescenta novamente diferentes territórios a esse mapa, com autores ligados a São Paulo, Bahia e Minas Gerais.

A ampliação dessa circulação permanece como um dos desafios da iniciativa, especialmente para alcançar artistas de regiões que ainda encontram dificuldades para acessar oportunidades de publicação e reconhecimento.

“Precisamos começar reconhecendo que o Brasil é muito maior do que os lugares para os quais costuma-se olhar. Isso vale para o teatro, para a literatura e para praticamente todas as áreas da cultura. Há pessoas escrevendo, pesquisando e inventando formas de fazer arte em lugares que nem sempre aparecem nos mapas priorizados pela indústria cultural. O problema não é necessariamente a ausência de produção, mas a falta de caminhos para que ela circule”, destaca Ivam.


Um prêmio que carrega Solano Trindade no nome

A proposta encontra referência na trajetória de Solano Trindade (1908–1974), poeta, ator, teatrólogo e ativista pernambucano cuja produção artística esteve diretamente ligada à valorização da cultura negra e popular brasileira.

Criador do Teatro Popular Brasileiro, Solano construiu um projeto que aproximava a criação artística da vida cotidiana de trabalhadores e estudantes. Sua atuação atravessou a literatura e as artes cênicas e deixou uma contribuição fundamental para a presença negra na cultura brasileira.

Ao carregar seu nome, o prêmio mantém esse legado em diálogo com autores que hoje encontram na dramaturgia um espaço para registrar suas próprias histórias

A cerimônia

A programação do dia 18 reunirá os autores selecionados, artistas, pesquisadores e convidados no Campus Brás da SP Escola Superior de Teatro. A noite terá falas institucionais e apresentações, além de um momento dedicado aos dramaturgos desta edição e ao lançamento da coletânea.

Como parte da programação, a Zózima Trupe realizará uma ação especial com transfer e espetáculo teatral no percurso da Estação Brás até o local do evento. Os horários da atividade serão divulgados posteriormente.

Três autores, três novas obras

Roteirista, dramaturga, escritora e advogada radicada em São Paulo, Bruna Geordanna Matos tem família mineira e amazônica. Sua produção passa pela literatura, poesia, dramaturgia e audiovisual. Em 2026, conquistou o primeiro lugar na categoria Crônica Nacional do IX Concurso Literário Cidade de Ouro Branco, promovido pela Academia de Ciências, Letras e Artes de Ouro Branco. Com Etiqueta, participa de sua primeira publicação em livro.

A obra selecionada acompanha uma mulher negra que atravessa memórias familiares e episódios de racismo enquanto tenta compreender o próprio passado. O texto se desenvolve a partir de questões presentes na pesquisa artística de Bruna e encontra na dramaturgia uma nova forma de registro.

De Salvador, Tom Machado é ator, professor, produtor e dramaturgo, mestre em Artes Cênicas e doutorando em Educação pela Universidade Federal da Bahia. Com 30 anos de carreira, é ator fundador da Cia. de Teatro Gente e reúne trabalhos no audiovisual para TV Globo, Netflix e Amazon.

Tom assina Mãe Stella de Oxossi: Aquilo que não se registra o tempo apaga, obra que coloca no centro da dramaturgia a memória de Mãe Stella de Oxóssi, uma das principais ialorixás do Brasil. Sua trajetória artística já inclui o monólogo 1798 – Lucas Dantas: Um Herói de Búzios, apresentado no Brasil e em Angola.

Já Veec Santos, é artista teatral, ator, iluminador cênico e pesquisador de Belo Horizonte. Sua investigação artística se dedica às possibilidades expressivas da luz e à relação da iluminação com a construção dramatúrgica. Graduando em Teatro pela Universidade Federal de Minas Gerais, integra desde 2025 o grupo de pesquisa Negruras – Performatividades Negras e Periféricas.

No prêmio, Veec apresenta Memórias, texto que acompanha um personagem em sua trajetória pelo INSS enquanto tenta recuperar lembranças e rastros da própria história.

Serviço

7ª edição do Prêmio Solano Trindade de Dramaturgia Negra e lançamento de “Eternizar em Escrita Preta – Volume 7”

Data: 18 de novembro de 2026

Horário: a partir das 19h

Local: Campus Brás da SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco

Endereço: Avenida Rangel Pestana, 2401 – Brás – São Paulo/SP

Publicação: Eternizar em Escrita Preta – Volume 7

Sobre a ADAAP

 A Associação dos Artistas Amigos da Praça (ADAAP) é uma Organização Social de Cultura sem fins lucrativos formada por integrantes de grupos de teatro de São Paulo.

A entidade desenvolve e administra projetos culturais, sociais e institucionais ligados à arte e à educação e, desde 2009, é gestora da SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco.

Sobre o Selo Lucias

 O Selo Lucias é uma iniciativa editorial da ADAAP voltada à publicação de livros ligados às artes, com títulos dedicados também à pedagogia, às ciências sociais e à psicanálise. Seu nome homenageia a professora, jornalista e gestora cultural Lucia Camargo (1944–2020), que foi coordenadora da SP Escola Superior de Teatro.

Realização: ADAAP e SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco

Apoio institucional: Governo do Estado de São Paulo – Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas

Parceria Prata: Ambev Voa

 Imprensa: comunicacao@spescoladeteatro.org.br



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