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Egressos da SP Escola de Teatro são selecionados para o Atelier de Composição Lírica do Theatro São Pedro

O resultado do edital do Atelier de Composição Lírica do Theatro São Pedro, teatro histórico da cidade de São Paulo gerido pela Santa Marcelina Cultura, terá a cara da SP Escola de Teatro em 2026.

Os três aprovados na categoria de libretistas foram da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

Raíssa Simeão acaba de se formar em Dramaturgia na Escola, enquanto Thamires Araujo e Marcio Tito são egressos de outros anos, também do curso de Dramaturgia, coordenado por Marici Salomão. Esse resultado mostra o talento dos artistas que estudam na Escola desde 2010 e também a qualidade do ensino da Instituição.

Além dos três libretistas, o edital selecionou três compositores.

Segundo o Theatro São Pedro, durante o programa do atelier, “serão ofertadas atividades teóricas coletivas, coaching com especialistas, workshops com músicos da Orquestra do Theatro São Pedro e cantores profissionais, ensaios de leitura com a Orquestra, encontros para a discussão e orientação sobre as obras e a preparação e apresentação pública do repertório desenvolvido pelos participantes do Atelier.”

Confira as entrevistas com Raíssa, Thamires e Marcio, que falaram sobre suas carreiras, aprendizados e expectativas para o atelier:

Conversa com Raíssa Simeão

Bacharel em Artes Cênicas pela Unesp e formada em Dramaturgia pela SP Escola de Teatro. Integrante do “coletivo que morreu”. Dirigiu a ópera “Domitila” (2022). Escreveu a peça “Me desculpe por ter estragado o jantar”, premiada pelo Concurso de Dramaturgia do Conservatório de Tatuí.

Como foi sua experiência em Dramaturgia aqui na SP Escola de Teatro?

Terminei a minha formação em Dramaturgia na SP Escola de Teatro no final de 2025. Foram dois anos transformadores. Além das aulas teóricas e práticas sobre Dramaturgia, as aulas de Dramaturgismo impulsionaram minha vontade de seguir trabalhando no universo teatral. Aprendemos sobre crítica, sobre pesquisa de metodologias e referências, como comunicar nossas ideias e transformá-las em projetos teatrais em diálogo com o nosso tempo.

O que você espera desse curso de composição lírica como libretista?

Pretendo pesquisar bastante, tanto sobre teoria e história da ópera e dos libretos, quanto para a escrita do libreto em si. Levo a experiência da SP Escola de Teatro comigo, pois entendi a importância de uma boa pesquisa de referências para a escrita dramatúrgica.

Como foi o processo para passar nesse edital do Theatro São Pedro?

O processo seletivo para o Atelier de Composição Lírica foi on-line. Era necessário enviar uma carta de interesse, meu currículo e trechos de textos autorais. Encaminhei a dramaturgia em processo que estava sendo desenvolvida para o Experimento da SP Escola de Teatro, bem como outros trechos de dramaturgias que nasceram de exercícios durante minha formação em Dramaturgia. Nós exercitamos bastante a escrita em sala de aula e somos incentivados a sempre revisitar nossos textos, logo, tinha bastante material para selecionar para o processo seletivo.

Quando acontecem as aulas? Já sabe como será a estrutura das aulas, as dinâmicas?

As atividades iniciam em março. Estou muito animada para o Atelier, teremos atividades teóricas coletivas e uma orientação durante a criação das obras.

Conversa com Thamires Araujo

Thamires Araujo é dramaturga, atriz e tradutora. É bacharela em Letras (Português-Francês) pela Universidade de São Paulo, pós-graduada em Dramaturgia: Teatro, Cinema e TV pela Escola Superior de Artes Célia Helena e técnica em Dramaturgia pela SP Escola de Teatro. Atualmente, cursa uma pós-graduação em Roteiro Audiovisual no Senac.

Como foi a sua experiência em Dramaturgia aqui na SP Escola de Teatro?

Me formei no fim de 2024. Desde o início do curso, eu já me interessava pela relação entre dramaturgia e música (tanto que meu núcleo, no módulo Vermelho, escolheu desenvolver um musical!) A Escola foi um espaço muito importante de experimentação, não só desse interesse específico, mas de muitos outros. Pude testar formas, linguagens e processos diferentes, errar, refazer e entender melhor o meu próprio modo de escrever. A Escola foi fundamental para ampliar meu repertório e para pensar a dramaturgia de um jeito vivo, em diálogo com a cena, com os corpos e com outras áreas artísticas.

Com o que você tem trabalhado desde que se formou?

Desde antes de me formar, trabalho com tradução. No ano passado, inclusive, fiz a interpretação consecutiva das aulas de dois docentes estrangeiros na própria SP Escola de Teatro. Paralelamente, tenho estudado roteiro audiovisual e, nesse período, escrevi dois curtas-metragens.

Como foi o processo de passar nesse edital do Theatro São Pedro?

No caso dos libretistas, o processo seletivo do Atelier de Composição Lírica consiste no envio de uma carta de motivação e de um texto de até vinte páginas. O texto que enviei foi o meu Projeto Singular desenvolvido na SP Escola de Teatro, uma peça chamada “Quando acordei, já estava morta”.

O que você espera desse curso de composição lírica como libretista?

Tenho muito interesse nas formas como a dramaturgia pode se relacionar com a música, especialmente no que diz respeito ao ritmo, à escuta e à estrutura. Também me anima a possibilidade de pesquisar mais profundamente essa linguagem específica da ópera. Além disso, a perspectiva de escrever um texto que será musicado, cantado e vivido em cena é sempre algo que me emociona. Escrever, para mim, tem a ver com ver a imaginação ganhar corpo, com acompanhar um sonho se materializando no palco. Pensar em fazer isso em um teatro como o São Pedro torna essa experiência ainda mais bonita.

Quais são suas inspirações e referências nessa área de dramaturgia e libretos de ópera?

Minhas referências vêm muito do teatro contemporâneo. Posso citar o trabalho do Kiko Marques, a experiência com o Lucas Mayor e o Marcos Gomes do Espaço Garganta (onde vi um texto meu ser encenado pela primeira vez) e a dramaturgia da Silvia Gomez, da Grace Passô e da Michelle Ferreira. No campo específico dos libretos de ópera, ainda estou descobrindo. Também me interessa muito poder me aproximar dessa tradição ao mesmo tempo em que construo meu próprio caminho dentro dela.

Conversa com Marcio Tito

Marcio Tito é dramaturgo e diretor teatral, jurado do Prêmio APCA, autor no Guia Off, fundador e editor do site Deus Ateu, fundador do coletivo Tragédia Pop de Teatro e crítico de teatro e dança.

Como foi sua experiência em Dramaturgia aqui na SP Escola de Teatro?

Achei muito instigante poder relembrar este momento, sobretudo à luz do contexto atual. Penso que fui bastante privilegiado, por algumas razões, e a principal delas foi a organização de um corpo docente de primeiríssima linha. Tive, em sequência e, por vezes, simultaneamente, aulas, encontros e orientações com José Fernando Azevedo, Matteo Bonfitto, Lavínia Pannunzio e Rogério Tarifa. Uma seleção absurda, que mudou minha perspectiva política e estética.

Houve, naquele momento, um grande acerto da Marici na escolha dos nomes, Toller, César Ribeiro, Cláudia Vasconcellos, Juca Oliveira, que infelizmente nos deixou há pouco. Foi um cenário diverso, cheio de gente que pesquisava e ensinava como parte de um arranjo sofisticado, e era sempre muito especial perceber como as falas e as aulas criavam fricções com os espetáculos que nossos docentes colocavam no mundo.

Também na escola conheci o Alexandre Gnipper, que, desde o segundo trabalho do grupo, atua em várias frentes na Tragédia Pop Coletivo Teatral. Dirige, orienta o texto, trabalha na música e na trilha, propõe recortes e projetos.

Você escreve, mas também se dedica à crítica (APCA, seu site Deus Ateu etc.). Como tem sido sua experiência como dramaturgo e autor? O que tem trabalhado mais recentemente nessa área?

Tenho apostado em uma literatura marginal, muito próxima dos valores de um dos nossos maiores autores e encenadores, que, sem dúvida, é o Mário Bortolotto. Ele carrega há muitas décadas uma identidade artística que vejo em pouquíssimos sujeitos do nosso teatro, e que sofreu uma enorme perda com a passagem do Zé Celso.

Meu texto, hoje, pretende se inserir em um recorte interessado na criação autoral, cujos temas sejam sempre gritos de alerta voltados à construção de uma mitologia urbana e sensível. Uma certa revisão do drama e uma cosmovisão importante acerca da cultura neste primeiro quarto de século são os disparadores dos meus trabalhos mais recentes. No Banheiro Sujo de um Bar Qualquer, Os Insequestráveis, Maitê na Pior e !! Abra os olhos e diga ah !! são alguns gestos que compõem o atual cardápio das minhas investigações em dramaturgia.

Como foi o processo para passar nesse edital do Theatro São Pedro?

Foi algo absolutamente fora da curva, errático e lindo de um jeito especialíssimo. Eu havia ficado como suplente em dois momentos, não me recordo exatamente em quais anos. Aconteceu de eu não me inscrever no ano seguinte porque meu pai morreu, e eu fiquei bastante ferido por algum tempo.

Contudo, na oportunidade mais recente, o Ferdinando Martins, que é uma pessoa incrível na minha vida, achou que eu deveria tentar mais uma vez e fez toda a parte chata do processo. Ajudou-me a escolher a cena que deveríamos enviar, cobrou prazos e documentos. Hoje, o Ferdinando produz o grupo, nosso grupo, a Tragédia Pop Coletivo Teatral.

Tomamos este edital como nosso primeiro sucesso profissional. Nossa média está ótima (risos). Um edital, uma aprovação e muita fé no futuro. Eu não gostaria que tivesse sido diferente. É muito bom quando a conquista pode ser partilhada dessa forma.

O que você espera desse curso de composição lírica como libretista?

Ocorreu-me uma percepção curiosa, um jeito complexo de acessar o futuro que se anuncia. Veja: o formato da ópera, mesmo em países com investimentos não apenas frequentes, mas também portentosos, ainda assim remonta a um tempo de valores que escapam à rotina dos dias correntes.

Espero poder me tornar um pouco guardião desses saberes, entende? Aprender o bastante e o suficiente para que alguém possa lembrar a receita e lançá-la adiante. Quando as coisas quase desaparecerem, ser quem poderá recordar processos e fórmulas. Acho que, assim como percebo a crítica, existe aqui um modo de preservação da vida em suas mais diversas traduções.

Quais são suas inspirações e referências nessa área de dramaturgia e libretos de ópera?

Sempre acessei a ópera tentando encontrar, no formato, algo que me devolvesse ao teatro, que é o meu campo de atuação. Devo ter acompanhado algumas dezenas de récitas, e isso é muito pouco para materializar um campo consistente de referências.

Posso dizer que minha aproximação tem sido, naturalmente, pela via do enredo, especialmente porque sempre percebi personagens muito sólidos e trágicos nos espetáculos que visitei. Mesmo no teatro de prosa, o que me interessa é a solidão de qualquer sujeito que aposta tudo por um ideal ou para não negociar seus valores.

Espero, fundamentalmente, poder falar do Brasil em suas mais completas e profundas dimensões. Meu tema é, e sempre será, a nossa gente e a nossa aposta. Portanto, mais uma vez, minha inspiração será esta nossa “grande pátria desimportante” (risos).

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