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Isildinha Baptista Nogueira, Ivam Cabral e coletivo Psicanálise nas Brechas lançam manifesto decolonial e miram a França

Coletivo Psicanálise nas Brechas lança manifesto “Não somos a senzala da sua casa grande” no Cine Bijou em resposta ao universalismo colonial na psicanálise

No próximo dia 20 de julho, às 11h, no Cine Bijou – Sala Patricia Pillar, em São Paulo, o Coletivo Psicanálise nas Brechas lança oficialmente o manifesto “Não somos a senzala da sua casa grande”.

O texto é um posicionamento contundente diante da recusa histórica, por parte de setores hegemônicos da psicanálise europeia, de escutar as vozes, dores e potências que emergem de territórios colonizados.

Fazem parte do coletivo Isildinha Baptista Nogueira e Ivam Cabral.

A psicanalista, pensadora e escritora Isildinha Baptista Nogueira é presidente do conselho administrativo da Associação dos Artistas Amigos da Praça (ADAAP) – associação gestora da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

Já o psicanalista, dramaturgo, diretor e ator Ivam Cabral é diretor-executivo da SP Escola de Teatro desde 2009, ano de fundação da Escola, e um dos fundadores da ADAAP.

O manifesto nasce como resposta a dois episódios emblemáticos. O primeiro, um documento publicado em 2019 no jornal Le Monde, no qual psicanalistas franceses classificavam o pensamento decolonial como uma ameaça totalitária, acusando-o de “vitimismo” e de “narcisismo das pequenas diferenças”, ao mesmo tempo em que defendiam um suposto universalismo psicanalítico – que, na prática, mantinha intocado um lugar de privilégio racial, social e geopolítico.

O segundo episódio ocorreu mais recentemente, em junho deste ano, durante o Colóquio Brasileiro de Psicanálise – Diversidade, Identidade, Singularidade: um ponto de vista psicanalítico, realizado na Embaixada do Brasil em Paris. Ali, em plena arguição, uma importante psicanalista francesa iniciou sua intervenção dizendo: “Não sei bem o que vim fazer aqui e o que vou falar. Sou europeia, branca, de branco, loira, de olhos claros e nascida em Paris. Sou sujeito.” E completou dizendo que não escutava ali “a voz dos psicanalistas”, mas apenas “a de sociólogos e políticos” – recusando, portanto, a escuta de uma psicanálise decolonial.

Para o coletivo, essas declarações e atitudes não são apenas posições políticas: são sintomas. Sintomas de uma colonialidade que insiste em se disfarçar de neutralidade, mas que retorna – como bem ensinou Freud – sob a forma de recalque e resistência.

O manifesto afirma: “A colonialidade não termina com as bandeiras. Ela marca a pele, o corpo, a língua e os silêncios. Ela estrutura o desejo e as violências que atravessam o sujeito.”

O texto também evoca Frantz Fanon, que neste ano completaria 100 anos, e a psicanalista Isildinha Baptista Nogueira, cuja obra “A Cor do Inconsciente” inspira a urgência de escutar as feridas abertas pelo racismo estrutural e pela história colonial como parte inseparável da constituição subjetiva.

Para além da denúncia, o manifesto é também um convite ético: que a psicanálise se reconcilie com sua vocação original – escutar o que ninguém queria ouvir. E que tenha a coragem de descentrar-se, de se abrir a outros inconscientes, outras gramáticas do sofrimento e da resistência.

O evento é aberto ao público e contará com a leitura do manifesto, seguida de conversa com integrantes do coletivo e convidados: Isildinha Baptista Nogueira , Miriam Chnaidermann, Miriam Debieux, Thamy Ayouch e Deivison Ngozi.

Sobre o Coletivo Cinema e Psicanálise nas Brechas

O Coletivo Cinema e Psicanálise nas Brechas, criado em 2024, reúne psicanalistas de diferentes formações e instituições em torno das articulações entre psicanálise e arte como práticas criativas e transformadoras.

Seus encontros mensais, realizados aos domingos no Cine Satyros Bijou – Sala Patricia Pillar, tomam o cinema como ponto de partida para refletir sobre subjetividades, violências históricas e novas possibilidades de existência, a partir de uma perspectiva antirracista, decolonial, interseccional e atenta às marcas da Améfrica Ladina, como propôs Lélia Gonzalez.

O coletivo sustenta uma psicanálise aberta à pluralidade dos inconscientes, capaz de escutar o que a história tentou silenciar e de se implicar nas urgências do presente.

Integram o coletivo: Ana Lucia Bastos, Bruna Elage, Isildinha Baptista Nogueira, Ivam Cabral, Lilian Carbone, Luciana Chauí, Patricia Villas-Bôas, Roberta Kehdy e Vera Lucia Barbosa.

Serviço

Lançamento do manifesto “Não somos a senzala da sua casa grande”

Com apresentação do filme “Introdução ao pensamento de Fanon” (2016), de Deivison Ngozi e a presença de: Isildinha Nogueira Baptista, Miriam Chnaidermann, Miriam Debieux, Thamy Ayouch e Deivison Ngozi

Data: 20 de julho de 2025

Horário: 11h

Local: Cine Bijou – Sala Patricia Pillar

Endereço: Praça Roosevelt, 172, Consolação, São Paulo/SP

Realização: Coletivo Psicanálise nas Brecha

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